quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Despedida

Damos o blog como findo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

sambando

Todo amor que imaginei
Encontrei nessa mocinha
Que me abraça na varanda
E me lambe na cozinha

Toda sorte que não tenho
Eu tirei ao te encontrar
Do lugar de onde venho
Não existe tanto mar

Todo sonho que recrio
Tem um tanto que se vê
Desconfio desse fio
Que me liga em você


(Rafael Beraldo)
vide o verso e a rima

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Alma Completa

Desde sempre dizia que morreria solitário, que seu corpo seria velado por desconhecidos, e o caixão pago antes mesmo da morte. Não que houvesse nele alguma anti-sociabilidade, mas tinha uma necessidade maior de relações sociais mais concretas, mais sinceras, e todas as suas, ao que parecia, tinham quase sempre uma tendência mórbida de enfraquecer.

Sabia que os amigos eram de hoje, que amanhã não os teria mais, iam embora, alguns por casar, outros apenas por ir. Os de trabalho sumiriam assim que ele fosse demitido, como sumiram os de escola e universidade quando se formou. Como sumiram os de ontem.

Tinha ainda os familiares, mas eram apenas familiares, e família é outorgada, não se escolhe. Não tinha laço qualquer de amizade com alguém de mesmo sangue ou quase.

Ora sentia-se culpado por tudo isso, pela solidão que lhe fitava como um encosto oriundo de macumba. Ora culpava essa necessidade inefável de coisas infalíveis. Aparentemente tinha amigos. Sim! Mas ainda assim sabia que caso parasse para analisar, veria que no fundo eram apenas amizades cotidianas, obrigadas pela convivência, veria que no fundo sequer eram amizades.

Por vezes imaginava se haviam níveis de amizade, não lhe agradava muito a idéia, mas e se houvessem? Se talvez ele buscasse o quase utópico nível-maior e não se contentasse com níveis amenos?

Era de sua natureza ser exigente, ter expectativas, fantasiar. Outros diriam que era culpa dos astros, que era por seu signo. Achava sempre muito cômodo culpar a astrologia ou mitologia. Era coisa sua, estava nele, podia sentir.

Certa vez disseram-lhe que nascemos com almas parciais, não pela metade que seriam completadas com amores, mas com pedaços pequeníssimos, necessitados de muitos outros pedaços, que cada pessoa que encontrássemos contribuiria para completar nossas almas.


Na melhor das hipóteses, pensava, teria nascido com a alma completa.


(Lalo Oliveira)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

cão sem dono

Que sujeito mais descrente
Do sorriso e amor
Tão comum no dia-a-dia
Mas vazio do seu valor

Que rapaz idealista
E tão anti-monetário
Que se nega a viver
Apertando o horário

Afundado em teorias
É matriz de um eu profundo
No convívio de idéias
Que afrontam todo mundo

(Rafael Beraldo)
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Versos Prateados

seu olhar por entre os cabelos
prateados pela noite de lua cheia
desatina-me e me alucina

o vento que despenteia
por um momento revela
a essência escondida
em seu rosto corado
coroado pela beleza

por seu rosto
em minhas mãos

faria qualquer coisa
paria qualquer poesia
daria qualquer mundo

mas sou essência
e sendo estou em tudo

na folha que lhe poisa
no vento que lhe acaricia
e na onda em cada segundo


(Davi Drummond)

domingo, 21 de setembro de 2008

Os espaços vazios

Nunca soube o que fazer
com os espaços que ficam
depois que alguém vai embora
uma dúvida insiste
e de tanto, o meu tentar desiste
de trocar a ausência
por qualquer coisa que fira menos:
nada para repor
nada para suprir
nada que realmente comportasse
o encanto de algo que ficou
para trás


(Cáh Morandi)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cor Nova

Ouça a poesia (narrada pelo autor):

Clique Aqui


Não julgue o meu amor
Com base no que já existe.
Não busque na “aliança divina”
A sua cor.

Não está na luz branca,
É cor nova,
Sem coisa para comparação.

Não é clara, tampouco escura.
Não é primária, solitária,
Nem mistura.


Pode ser que nem Deus a conheça,
É cor nova.
Com base no que já existe,
Não julgue o meu amor,


Minha cova.


(Lalo Oliveira)



terça-feira, 16 de setembro de 2008

estrangeiro

Os caminhos tortuosos
De quem viver sem pensar
Na demora e atraso
Que a vida faz pesar

A brevidade do sorriso
O desarme do rancor
No gatilho indeciso
O motivo dessa dor

Nossos filhos se matando
E a sorte companheira
Que consola e protege
De segunda a sexta-feira

Nosso tempo de morrer
Não precisa ser marcado
Basta apenas florescer
No jardim ali do lado

(Rafael Beraldo)
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domingo, 14 de setembro de 2008

Palavras Marinhas

- sabia que se você colocar o ouvido bem
pertinho da concha a gente ouve o som do mar?
parece que guarda o mar todinho dentro dela
- se você colocar o seu ouvido bem pertinho
do meu peito também vai ouvir um som
- estou ouvindo... o que é?
- o som do amar... parece que guardo
você todinha dentro de mim


(Davi Drummond)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

12h September

Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder, embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça, deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce.



Cáh Morandi

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Não irei te perder

Não vou te perder,
Ao menos não agora...
Ouço a solidão me chamar...
não irei!
Passarei a madrugada sem ceder


Teu corpo se movimenta
(ele dança em outro corpo)
Você fecha seus olhos...
estou em sua imaginação...
(Eu sei, meu amor,
Não vou te perder)
Não posso morrer
Sem antes provar
Novamente o paraíso
(Ela sussurra teu nome,
E você lembra
Que nossos corpos
Falavam em silêncio)




- Cáh Morandi -

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Esclarecimento

Sim, é verdade, não nego
Que muitas mulheres atento.
Mas sou fraco, sou homem, não fico,
Sou vento.


Se passam, olho, não hesito,
É algo mais que instinto,
Melhor liberá-lo, pecado é deixá-lo
Aflito.


Eu vinicio, também amo a mulher que passa
Com sua graça, leveza e rebolado,
Mesmo metida, sem olhar de lado,
Amo a pura, amo a devassa.


E o meu amor se reproduz por brotamento,
Amo a todas, não há mistério.
Amor que ama qual brincadeira
E só contigo é sério.



(Lalo Oliveira)


Perfil

Comunidade

domingo, 7 de setembro de 2008

Três Esquinas Para Além-Mar

para a mara
a menina do rio


I

mar aberto
sinto-me tão perto
de tê-la em meus braços

mar alerta
sinto-me tão certo
de tê-la em meus traços

o mar de seu nome
o mar de meu pensamento
o mar que nenhum pronome
pode substituir naquele momento

escrito em nossos corpos
tecido em nossas loucuras
sentido em nossos portos
e marcado em nossas misturas

o salgado em cada encontro
o amargo em cada despedida
o doce em cada beijo puro
como as pétalas de margarida

o mar que ama em anagrama
e amando segue sua sina de amar
por não fazer outra coisa além de amar
e ser mar em cada maré
ser milagre em cada manhã

amarar meus olhos de menino
que rigorosamente como o soar do sino
derrama lágrimas em cada nascer do sol

II

mar à vista
absorto por telas
de aquarelista

praias desertas de jobim
com minha menina da tijuca
em seus cabelos, ramos de jasmim
que terminam em sua nuca

risco no céu de estrela cadente
riso no mar de menino transparente

o mar que ama
sem amarguras
e em seu balanço manso
leva nossas
juras de amor

III

nessas areias
onde o mar canta
só para nós

o mar que canta
cantigas mais antigas
do que qualquer existência
que o tempo viu passar

em seus olhos
convites de sereias
que embalam o nosso amar

e no fim do dia
a maré vem e apaga
todas as nossas marcas

para que ao nascer
de mais um dia
possamos
reinventar
a poesia


(Davi Drummond)

sábado, 6 de setembro de 2008

será que tem gente
que sonha com a gente
antes de acordar?

como se faz
para se estar lá?

será que de noite
enquanto se dorme
tem gente que rouba
nosso corpo e alma
e nos leva inerte
e então nos devolve
antes que a gente desperte?


(Cáh Morandi)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

contratempos

Meu remédio é a sorte
E a morte é minha amiga
Não sou fraco nem sou forte
Vivo a vida na cantiga

Meu colírio é calmante
E meu chá de camomila
Vejo o luxo tão distante
E minha alma de argila

Meu caminho é ardido
E o chão é maleável
O destino vai perdido
Num padrão negociável

(Rafael Beraldo)
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terça-feira, 2 de setembro de 2008

I

És tão pouca,
Tão pouca matéria frágil
Vagando na troposfera.

Tão pouca entre as palmeira,
Entre os edifícios e burgueses.
Quase tão pouca entre as formigas
E flores num jardim imenso.

Todo o mundo é Golias,
Enquanto és Davi, poucamente.
És João escalador
Em castelo de gigantes.

És pouca em qualquer fábula.

És tão pouca
No planeta pouco,
No sistema pouco,
Na galáxia pouca,
Universo pouquíssimo!

Mas tua essência,
Teu encanto,
Tua beleza,
Teu amor,
Tua luz,
Teu cheiro,
Teu sabor,
Tua paz...

São TANTO!

E é deveras pouca
Minha compreensão.


(Lalo Oliveira)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sobre fazer sonhar

Nunca consegui enumerar todas as coisas que eu gostava e as que você me fazia sentir. Primeiro, porque eram muitas. Segundo, porque algumas não tinham nome. Éramos extremamente felizes porque acreditávamos no amor, porque de início não víamos nada de empecilho, não víamos distancias, sejam de idades ou sejam de cidades, nós apenas vivíamos aquele presente que a vida parecia nos dar. E quando começaram surgir os planos, os sonhos, e fomos dando nomes para eles, a dar local e datas, e eu, então, parecendo um foguete a voar pelo céu de felicidade, vi você se afastando, medroso, inseguro. Mas que direito tinha eu de te fazer estar comigo todos os dias de amanhã? Que direito tinha eu de amarrar tuas mãos com a minhas? Não precisavas ter medo, tu não tinhas que arranjar uma forma de fazer tudo acontecer, tua única obrigação era me fazer sonhar.


(Cáh Morandi)
mais aqui!

sábado, 30 de agosto de 2008

o crítico

A poesia social
Num sem-tempo temperado
Se associa ao banal
Pelo foco deslocado

O velhote no senado
E o novo no armário
Fica posto o antiquado
Pro vilão e empresário

Eu critico todo mundo
Sem saber argumentar
Nem sequer me aprofundo
No processo de pensar

(Rafael Beraldo)
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Daquilo Que Você me Faz

absorto
por sua essência
não sei mais onde
seus lábios fenecem
e começam os meus


(Davi Drummond)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Noite em um bar

Uma idéia em duas cabeças,
Em dois peitos uma vontade,
Um par, duas pessoas,
Um todo, metade e metade.


Uma distância, dois olhares,
Duas audições, uma melodia,
Um ambiente, dois lugares,
Uma existência, duas vidas vazias.


Timidez, covardia, inibição,
Uma força que prende e impede,
Uma oportunidade que se perde,
Duas pessoas que não se verão.


E o choro dos anjos, no ar,
Que não nascerão.



(Lalo Oliveira)

estética

A beleza é um muro
Uns maiores outros cerquinha
Os ditos belos sempre na frente
Atrás os feios
Encolhidos na sua indignação

Padrões de beleza motivam escaladas
Tentativas vãs de estar em frente ao muro
Quando na verdade é só fingir e pensar
Que o muro não existe
Ou passar pelo portão

(Rafael Beraldo)
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A Borboleta Tatuada em sua Nuca

ao toque de minhas mãos
a borboleta tatuada em sua nuca
desperta e quase desprende
de sua condição inanimada

cada arrepio
é um bater de asas
nunca antes
experimentado
adormecido

e a simetria
das asas da borboleta
representa a sintonia
de nossos corações


(Davi Drummond)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Das insignificâncias da vida

Bastava o perfume que os cabelos deixavam nos travesseiros
E aquele beijo trocado em plena tarde de uma segunda feira agitada
Bastava aquela conversa sobre um assunto sem nexo no café da manhã
E as gargalhadas do ser amado vendo TV em plena madrugada
Bastava estarem abraçados e ainda deitados num dia preguiçoso
E implicarem antes de um passeio por causa de uma saia minúscula
Bastava mesmo que fosse uma briguinha antes de começar o dia
E você ficar pensando o dia todo em alguma forma de reconciliação
Bastava que ele chegasse, mesmo esquecendo das compras da semana
E que ela te perguntasse a cada minuto se você a amava

São nessas pequenas horas que se descobre ter sido feliz,
Mas isso é coisa que demora uma vida toda para perceber

( Cáh Morandi )

domingo, 17 de agosto de 2008

cego

O futuro se faz fim
É a única solução
O passado faz motim
Contra essa evolução

O planeta é reciclável
Pode usar e descartar
Todo mundo impassível
De o planeta ajudar

Meto diesel no motor
E combusto meu pulmão
Só atendo ao senhor
Meu amigo e patrão

(Rafael Beraldo)
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amor traidor

nossos braços se cruzam nas costas
em meio as promessas falsas de um pecador
na meia luz são só meios corpos
me enrosco nas pernas do meu traidor
os beijos são cheios de salivas amargas
as palavras tão claras de um doce rancor
no fim a gente nega, se perde na entrega,
uma indiferença tão perto do amor


(Cáh Morandi)

Vendas

Neste mundo
Vendem tudo.


Eu vendo a Lua
Imagino
Quando irão
Vendê-la.


(Lalo Oliveira)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Casa Abandonada

É que agora – aqui dentro – a casa foi ficando meio empoeirada, como se toda essa mobília sentimental não tivesse sendo mais usada, a janela foi deixada aberta e tanto vento foi passando, levando as cores dos retratos e deixando o pó como ressarcimento. Aqui em casa não tem mais conforto, tudo virou incômodo, e às vezes nem em casa eu me sinto. Não tem mais abraço, não tem mais teto para pintar de sonhos toda a noite, nem tapete colorido para deitar no domingo. Tudo daqui foi sumindo, não tem mais ninguém nessa casa, só um eco se espalha quando eu volto e os passos ficam rangendo o assoalho, e fica uma sensação estranha de ver cinza onde tudo foi festa e euforia. Na porta de entrada eu sempre pedia um beijo, até que um dia o beijo foi de despedida.


(Cáh Morandi)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

inflação

Nosso lucro vai embora
Bate recorde dia-a-dia
Não entendo a demora
Que o pilantra anuncia

Desse jeito vou falindo
E sorrindo na desgraça
O salário se esvaindo
E o corretor que ameaça

Minha renda é ilusão
Me engana com freqüência
Já não tenho opção
Muito menos paciência

(Rafael Beraldo)
vide o verso e a rima

Convite Enluarado

na varanda
a lua me chama
ardente
e de lado
crescente
parece sorrir

nas ruas
enluaradas
uma banda toca
uma criança brinca
e a ciranda que
não silencia
canta a lua
no céu

sem vergonha
de ser lua
sem pudor
de estar
nua
crua
ao léu

e na varanda
permaneço na
esperança
de ser
sua

no véu
de meus
desejos
e encantos

enluarados


(Davi Drummond)

Tudo marcado

estava tudo escrito
mas ninguém havia me dito
e eu não me lembrei de ler
e era você que chegava
justamente agora
horas e datas marcadas
e tinha que ser
de súbito e inesperado
esse encontro marcado
antes da gente nascer
para agora andar lado a lado
destino cumprido e selado
como tinha de ser


(Cáh Morandi)